




Sorria
Canção de Charles Chaplin, Geoffrey Parsons e James Phillips
Sorria Ilumine seu rosto com felicidade Ilumine seu rosto com felicidade Smile
Mesmo que o seu coração esteja doendo
Sorria
Mesmo que esteja se quebrando
Quando há nuvens no céu
Sobre isso você passará
Se você sorrir
Através do seu medo e sofrimento
Sorria
E talvez amanhã
Você verá o sol
Brilhar
Para você
Esconda cada traço de tristeza
Apesar disso uma lágrima
Pode estar tão perto
então é hora
Você deve continuar tentando
Sorria
Para quê chorar?
Você irá descobrir que a vida
Ainda vale
Se você somente sorrir
Sorria
Esconda cada traço de tristeza
Apesar disso uma lágrima
Pode estar tão perto
então é hora
Você deve continuar tentando
Sorria
Para quê chorar?
Você irá descobrir que a vida
Ainda vale
Se você somente sorrir
Continue sorrindo
Sim
Nunca, nunca, nunca pare
Sorria
Canção de Charles Chaplin, Geoffrey Parsons e James Phillips
Música, doce música
|
Os maiores compositores do romantismo são Chopin, Schubert e Tchaikovsky; no Brasil, temos Roberto Carlos e Daniel; Mozart morreu jovem; sua maior obra é a trilha do filme "Amadeus" |
Escolas buscam métodos ousados para educação
Experiências incluem turmas sem divisão de classes e até o fim das provas
Em escola na Vila Matilde, na zona leste de São Paulo, um mesmo professor ensina todas as matérias para alunos de 5ª a 8ª séries
Leonardo Wen/Folha Imagem![]() |
Crianças fazem capoeira na Emef Amorim Lima, no Butantã |
Imagine uma escola em que alunos não recebem notas em provas e têm liberdade para decidir qual o tema a ser estudado. Seus professores, em vez de serem divididos de acordo com a disciplina em que se especializaram, dão aulas sobre todos os temas para a mesma turma.
Essas e outras práticas fogem do padrão encontrado na maioria das escolas, mas são adotadas, em maior ou menor grau, por instituições que tentam subverter a ordem. Em alguns casos, são experiências novas. Em outros, são práticas consolidadas. Para educadores ouvidos pela Folha, é possível inovar sem prejuízo da qualidade.
"As crianças mudaram, o mundo mudou, mas a escola permanece a mesma. A estrutura de trabalho da maioria das escolas é igualzinha à que eu presenciei como aluno há 50 anos. Acho que a maioria dos educadores está convencida de que é preciso mudar, mas muitos não sabem como. No entanto, é possível perceber alguns sinais de mudança", diz o vice-presidente do Conselho Municipal de Educação de São Paulo, Artur Costa Neto.
Na escola particular Oga Mitá, do Rio de Janeiro, por exemplo, um dos sinais dessa mudança foi o fim das provas. Os alunos até recebem notas, mas elas são construídas a partir de um conjunto de objetivos traçados. O professor acompanha o estudante e o avalia por trabalhos individuais ou em grupos e vê quantos objetivos foram alcançados.
A diretora Márcia Leite diz que a fórmula tem sido bem aceita pelos pais nos 29 anos de história da escola: "Não é treinando desde criança que alguém vai aprender no futuro a fazer provas ou processos seletivos. Achamos que o importante é preparar esse estudante para saber buscar sempre o conhecimento. É isso que dará confiança na hora da prova".
Para Leite, o desafio de escolas que tentam fugir ao padrão é continuar ousando a partir da quinta série. "É muito fácil encontrar escolas com projetos inovadores até a quarta série. Nosso desafio recente está sendo adaptar nosso projeto à realidade da quinta à oitava."
Esse mesmo desafio está sendo enfrentado pela Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) Presidente João Pinheiro, na Vila Matilde, zona leste de São Paulo. De quinta a oitava séries nas escolas tradicionais os estudantes têm vários professores para as disciplinas. Lá, não. Os docentes têm de ter conhecimentos para ministrar todas as disciplinas.
"Os professores ficam com um comprometimento maior, pois têm de estudar. E isso mostra também que o conhecimento está unificado. A escola está organizada para trabalhar as habilidades e competências para que o estudante possa viver bem lá fora", afirma a diretora Aparecida Inocência dos Santos. A implantação do projeto tem história: são 22 anos desde a mudança de métodos.
Mais recentes são as mudanças feitas na Emef Amorim Lima, no Butantã, zona oeste da capital. Há três anos, a escola optou por abolir as salas de aula da segunda até a oitava série. Apenas na primeira série as classes foram mantidas, porque as crianças estão em fase de alfabetização. O conteúdo é desenvolvido por meio de grandes temas e em grupos de estudantes. As dúvidas são tiradas pelos tutores, que também avaliam os alunos.
Costa Neto, do Conselho Municipal de Educação, diz que é possível manter uma linha pedagógica inovadora mesmo no ensino médio, quando muitas escolas passam a se preocupar mais com a preparação para o vestibular.
"Acho preferível ter tido uma experiência de 12 anos em que te ensinaram a pensar de forma criativa mesmo que, por seis meses, você tenha que se bitolar para passar no exame. A experiência desses anos será muito mais importante para a vida do que o vestibular", diz.
Escolas farão recuperação durante a aula
Rede municipal afirma que não tem condições de oferecer atividades extras a estudantes com deficiência em leitura
Segundo secretaria da Educação, 23% dos alunos de 5ª a 8ª séries têm domínio insatisfatório da língua portuguesa
FÁBIO TAKAHASHI
DA REPORTAGEM LOCAL
A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo publicou anteontem uma portaria que aponta que a prefeitura tentará recuperar os alunos com dificuldade de leitura durante o período regular de aula. A gestão Gilberto Kassab (PFL) afirma que não tem condições de oferecer reforço extra a todos os estudantes que estão com deficiências.
Um levantamento da pasta aponta que 23% dos alunos de 5ª a 8ª séries, os alvos da medida, possuem um domínio insatisfatório da língua portuguesa.
"Como não temos condições de oferecer reforço fora do período de aula para todos, decidimos dar uma maior orientação para a recuperação contínua [durante a aula]", disse a diretora da Divisão de Ensino Fundamental e Médio da pasta, Regina Lico. A recuperação fora do período será oferecida apenas em casos mais graves.
Segundo ela, algumas ações da portaria eram aplicadas pelos professores, mas não estavam institucionalizadas. "Agora poderemos oferecer capacitação para os professores e material didático específico."
Uma das recomendações para a recuperação dentro do período regular de aula é reorganizar o espaço da sala, colocando os estudantes com dificuldades mais perto do professor. Também serão usadas atividades em grupo, para que alunos com melhor rendimento possam ajudar os outros.
Para o presidente da Aprofem (Sindicato dos Professores e Funcionários Municipais de São Paulo), Ismael Palhares Júnior, a medida é praticamente inócua. "Neste momento, em que vivemos uma crise na educação municipal, a opção deveria ser por uma forte recuperação paralela [fora do período de aula]. Isso significaria mais tempo de aprendizagem."
O professora afirma que a recuperação durante o período de aula poderá atrasar o desenvolvimento dos demais estudantes. "É difícil trabalhar com grupos em turmas tão grandes como as nossas."
Segundo o Inep (instituto de pesquisas do Ministério da Educação), as classes de 5ª a 8ª séries da rede municipal de São Paulo possuem uma média de 35,2 estudantes, número acima do verificado nacionalmente, que é de 30,7.
"Esse realmente será um dificultador para que a iniciativa tenha sucesso", disse a coordenadora do curso de pedagogia da Unicamp, Ângela Fátima Soligo. "A idéia de trabalho em grupo é bem aceita entre os teóricos. Mas se há muitos alunos na turma, o professor não consegue conhecer as dificuldades e as potencialidades de cada estudante, para assim formar bem os grupos."
Escrever [e dançar] é tantas vezes lembrar-se do que nunca existiu. Como conseguirei saber do que nem ao menos sei? assim: como se me lembrasse. Com um esforço de memória, como se eu nunca tivesse nascido. Nunca nasci, nunca vivi: mas eu me lembro, e a lembrança é em carne viva.
Clarice Lispector

Mas eis o dia! Esperei-o e o vejo vir,
E do que vi o sagrado é testemunha.
A natureza mais velha do que os tempos
E acima dos deuses do Ocidente e do Oriente,
Desperta num estrépito de armas.
E do Éter até o fundo dos abismos
Segundo firme lei, nascido como outrora, do caos sagrado
sente o entusiasmo.
O criador de tudo renova-se.
*
Friedrich Hölderlin (1770 -1843) Hyperion, p. 79.
Uma série de pesquisas científicas feitas nos últimos 35 anos provocou alterações radicais no conhecimento da aquisição da leitura e da escrita pelas crianças. Em conseqüência, mudaram as concepções do ensino de língua e de alfabetização e também o modo de abordar esses conteúdos. Entre os especialistas no assunto, a educadora argentina DELIA Lerner se destaca pela atuação abrangente e intensa em termos científicos e práticos. Ela assessora órgãos governamentais e instituições particulares na Espanha e em vários países da América Latina. Professora de graduação e de mestrado nas universidades de Buenos Aires e La Plata, DELIA trabalha ainda numa escola de nível fundamental - que considera seu "melhor laboratório" - e é consultora de diversos projetos. No Brasil, participa do programa Escola que Vale, do Centro de Educação e Documentação para Ação Comunitária (Cedac), em São Paulo, e aconselha o Ministério da Educação nas áreas de alfabetização, currículos e livros didáticos. Seu campo de atuação estende-se também à didática da Matemática. "Quando dá tempo, eu escrevo", completa DELIA, que tem vários livros publicados no Brasil. A seguir, ela fala sobre o ensino de leitura e escrita, os equívocos mais comuns na área e a formação de professores.
Por que tem sido tão difícil formar leitores na América Latina?
DELIA LERNER A dificuldade não se limita a esta ou aquela região. Na América Latina, sobretudo nos setores mais pobres, a tarefa fica muito a cargo da escola, o que a torna mais complexa. Isso porque há muitas tensões vinculadas ao tempo disponível para ensinar e também ao entendimento sobre o que é formar leitores. Tradicionalmente as escolas consideram que o objeto de ensino não é leitura e escrita, mas a língua. Entre esses dois objetivos existem diferenças. Quando se concebe que o tema é a língua, os conteúdos prioritários são os descritivos, principalmente a gramática e a ortografia. Mas, se o objeto fundamental são as práticas de leitura e escrita, a língua passa a ser incluída num assunto maior, em que não é tão fácil determinar a ordem dos conteúdos, como ocorre com a gramática.
O processo de formação de leitores deve começar com a alfabetização?
DELIA As duas coisas não se distinguem. A participação na cultura escrita deveria começar muito antes de concluída a aprendizagem da própria escrita. As crianças cujos pais lêem histórias para elas ou que presenciam comentários sobre notícias de jornal estão aprendendo muito sobre linguagem escrita. Para isso não faz falta saber ler e escrever no sentido convencional. Ao adotar uma perspectiva global, o conhecimento se aprofunda.
Só que essa convivência inicial com a leitura não existe nos setores mais pobres...
DELIA Normalmente, é isso o que ocorre, mas não é a regra. Eu trabalho em bairros de periferia na Venezuela e conheci famílias que lêem assiduamente. Lembro de uma menina que chegou à 1a série muito avançada na construção do sistema de escrita. O que acontecia: sua mãe é cabeleireira, levava para casa revistas para aprender novos penteados e as compartilhava com a garota. Portanto, o contato pode ser maior ou menor com certos materiais, mas existe. Só que a escola é uma instituição cujas expectativas estão modeladas à imagem e semelhança da classe média para cima. Estou de acordo com isso, porque creio que uma de suas funções é democratizar a cultura dominante. Se, assim que entram na creche, as crianças ouvem a leitura de diferentes materiais, conseguem ingressar na escrita dominante desde pequenas.
Até que ponto o aprendizado é melhor se a escolarização começa mais cedo?
DELIA Antes se pensava que, para conhecer as histórias infantis, era preciso saber ler. A escola deve começar a ler para os alunos o mais cedo possível. Para os de família de baixa renda, está a cargo do professor provocar situações desse tipo, de que os outros dispõem desde que nascem. Isso não significa antecipar a exigência de que saibam ler e escrever. O sistema escolar tem um limite tênue entre dar oportunidades de aprender certos conteúdos e cobrar seu conhecimento.
De que forma os conhecimentos científicos das últimas décadas mudaram o conceito de leitura?
DELIA Em minha história, tudo começou com os estudos de Emilia Ferreiro sobre a psicogênese da língua escrita, que mostraram o processo de aquisição de conhecimento como um conjunto de problemas cognitivos - e não somente uma técnica. Em relação às práticas sociais, foram fundamentais os estudos em História, Sociologia e Antropologia e autores como Roger Chartier e Jean Hébrard. Investigações psicolingüísticas, desde os anos 1970, mostram que não se lê letra por letra, que a leitura implica uma construção de significados e que eles não estão no texto, mas são construídos pelo leitor. Tudo isso começou a abrir a possibilidade de conceituar de outra maneira o objeto de ensino e a participação dos sujeitos na apropriação dessas práticas.
Que tipo de atividade favorece a apropriação de significado?
DELIA Temos construído situações didáticas, como os projetos de produção e interpretação dirigidos a um fim. Por exemplo: uma antologia de contos fantásticos da literatura inglesa do século 19. Os alunos lêem para escolher, algo que normalmente não se faz na escola. Ou então o professor propõe a composição de um texto sobre um conteúdo, o que implica um trabalho de aprendizado e de seleção, tendo em vista que o produto final será afixado no mural ou publicado num site da internet. Isso restitui os propósitos comunicativos da leitura e da escrita, sem abrir mão da finalidade didática.
O que são práticas sociaisde leitura?
DELIA Em nossas sociedades, ainda que não fisicamente, existem comunidades de leitores. Cada um de nós pertence a várias delas, de um jornal diário, de um determinado autor etc. Nessas comunidades, há questões que são práticas sociais e não só de cada um. É o que chamamos de comportamentos leitores: comentar livros, discutir o sentido de um trecho, interpretá-lo, indicar textos que são importantes para nós, consumir resenhas e informações sobre literatura.
Em que sentido a escola cumpre esse papel?
DELIA Em muitos casos, o enfoque se distancia das práticas sociais de leitura. Fora da escola, lê-se para aprender a fazer certas coisas ou saber algo sobre um assunto de interesse ou inteirar-se sobre os acontecimentos. No caso da literatura, pode-se dizer que se lê para entrar num outro mundo possível. Na escola, costuma-se ler para aprender, e só. Pode ser que as crianças, sobretudo as que provêm de meios sociais onde não se produzem leitores, aprendam como se faz, mas não para quê. Nesse caso, terão dificuldade em ver sentido na leitura.
É possível formar uma comunidade de leitores dentro da própria escola?
DELIA É desejável que a escola se abra ao exterior. Eu participei de uma experiência em que se instalou um quiosque no pátio, com material para os pais, numa região em que havia muitas pessoas supostamente analfabetas. Houve um movimento muito forte de procura por material instrutivo sobre diferentes profissões: mecânicos, costureiras etc. Em Buenos Aires, um diretor atraiu a comunidade com um programa semanal de leitura para visitantes.
A organização teórica das situações didáticas não conflita com a imprevisibilidade dos acontecimentos na sala de aula?
DELIA Faço uma pergunta parecida. O conhecimento sobre doenças tira dos médicos a flexibilidade para fazer diagnósticos e definir que medicamentos indicar a um paciente? É a mesma coisa. O conhecimento didático nunca vai abranger tudo o que pode acontecer durante o ensino e a aprendizagem. Trata-se de entender as variáveis que estão implicadas numa situação didática, não de prescrever regras. Os resultados de pesquisa são complexos e não receituários do tipo "vá e faça". Os professores precisam produzir respostas próprias, mas não inventar o que já se sabe.
Que competências um professor de língua precisa ter hoje em dia?
DELIA O professor não precisa saber história da leitura ou Sociologia e Antropologia. Mas é indispensável que os processos de formação permitam a ele elaborar situações efetivas de aprendizagem. Insisto nisso porque em geral se encara o docente como profissional da prática. É preciso saber que o trabalho de ensinar é muito difícil. É crucial reconhecer que há um conjunto de saberes específicos a ser dominados e eles são fundamentalmente didáticos.
Qual é o problema do tempo didático?
DELIA Práticas requerem períodos longos para ser exercidas porque não dependem apenas do conhecimento de regras. Aprende-se a ler por meio de muitas leituras, do conhecimento de diversos autores, de vários setores da cultura escrita etc. Tudo isso depende de jornadas longas. É um processo em espiral, no qual se volta a certos conteúdos sob uma nova perspectiva. Há aspectos que ocorrem simultaneamente e necessitam de diferentes situações para que sejam apropriados.
A organização de horários nas escolas costuma ser um obstáculo para esse aprendizado?
DELIA Sim, mas isso pode ser modificado. Na Argentina, trabalha-se por blocos de 80 minutos, três vezes por semana. O mais difícil de controlar é o longo prazo. Para dar sentido à leitura são necessários projetos que não acabem em um dia. Por exemplo: adota-se por dois meses a atividade de conhecer um autor para se descobrirem o que caracteriza seu estilo, os fios condutores de sua obra etc. Infelizmente, as escolas costumam ensinar fragmentos de saber distribuídos em pequenas parcelas de tempo.
A ênfase na formação de leitores e produtores de escrita prejudica o ensino da gramática?
DELIA Sim e não. Reserva-se menos tempo à gramática, mas esse conteúdo ganha mais sentido porque, na prática, ele passa a ser reflexão sobre a própria língua. Essa possibilidade permite ao autor distanciar-se de seu texto, pondo-se no lugar do leitor. As noções gramaticais construídas por meio de leitura e escrita são assumidas pelos estudantes como próprias.Do contrário, os conhecimentos se perdem. Todo ano, os professores têm de voltar a ensinar sujeito e predicado porque, usualmente, ensina-se a gramática como se a língua materna fosse algo alheio ao sujeito, não uma tomada de consciência do que já se sabe, embora sem conceituar.
E quanto à ortografia?
DELIA Quando se escreve para comunicar, e não somente para ser avaliado, o interesse pela ortografia cresce muito. É preciso saber que a escrita e a ortografia têm regras e é conveniente conhecê-las. Todos buscam regularidades. Por isso, é importante apresentar a ortografia como um produto social resultante de uma história, o que leva algumas palavras a ser escritas de um jeito e não de outro.
Que problemas a senhora vê nas atividades habituais de interpretação de texto?
DELIA O texto é um conjunto de marcas sobre um papel; alguém deixou ali pensando num sentido e quem lê atribuirá outro, que coincide parcialmente com o primeiro. Quem interpreta o faz em relação ao que sabe. Além disso, entende-se de modos diferentes, segundo o propósito. No caso de um manual de instruções, me aproximo ao máximo do que quis dizer quem o escreveu. Mas, se estou diante de um artigo de jornal no qual procuro algo específico que me interessa, posso ler saltando trechos. As diferentes interpretações não dependem exclusivamente do texto em si. Por isso, não faz sentido fazer perguntas simplesmente sobre o que está escrito ali se elas podem ser respondidas sem uma compreensão verdadeira do texto.
Como a escrita pode ser um instrumento de reflexão sobre o próprio pensamento?
DELIA Quando está produzindo, por exemplo, o resumo de um texto, o aluno é obrigado a compreendê-lo mais do que quando apenas o lê. Precisa explicitar aquilo a que se refere e usa a escrita para organizar o que entendeu. Do lado literário, quando alguém produz uma resenha, precisa voltar à obra, com perguntas feitas do ponto de vista do escritor. Há muitas maneiras de aproximar-se de diferentes gêneros e propósitos ao utilizar a escrita como meio de reconstruir o conhecimento.
"Nos setores mais pobres, a tarefa de formar leitores fica muito a cargo da escola"
"Uma das funções da escola é democratizar a cultura dominante"
| As rosas não falam (mas contam a história) | ||||||||||||
|
|
| |||||||||||